II SÉRIE Coleccionei (mas já parei) erros de português: erros ortográficos, ignorâncias, infelicidades, gralhas graves, dislexias, estrangeirices e um ou outro cromo fora de colecção só para desenjoar. Porquê? Porque o português possui regras formais, tanto mais importantes quanto maiores as audiências, pelo que dou especial atenção aos erros de grande difusão. Caso tenha cromos para esta colecção, porque é que não começa a sua obsessão também?
Operação perigosa
22-Mar-2008. www.tvi.pt, enviado pelo amigo Carlos Medina Ribeiro, do blogue Sorumbático, o meu maior fornecedor de cromos para uma colecção que termina aqui (procurem o livro). Até sempre, amigos, um abraço.
05-Mar-2008. Diário de Notícias, notícia assinada por Licínio Lima, que escreveu três vezes "facha" e apenas duas "faixa". De que região será este jornalista, que deve ter escrito como fala?
10-Fev-2008. Sumo de fruta espanhol Don Simón, enviado por um amigo. Neste caso, a fruta é a "tangarina" [sic], erro de simpatia com o termo espanhol correspondente mandarina.
04-Fev-2008. Folheto das lojas Ocaofa-Ocasião do Sofá. Vale a pena ler de vez em quando um texto da qualidade deste, para depois se poder dar o devido valor aos bons redactores e escritores.
04-Fev-2008. Email recebido da Rede 4, uma marca da Optimus. "Quadruplica" é a forma correcta. Aproveito, já que se trata da Optimus, para referir um erro que tem aparecido num anúncio seu recente, e que passo a transcrever: "muitos mais concertos" - devia ser "muito mais concertos" porque a primeira palavra é um advérbio, portanto invariável.
10-Fev-2008. Badana da contracapa do livro Pai em Construção, de Francisco Abelha, editora Verso da Kapa. A frase "pai de dois filhos, cujo investimento na sua educação tenta rentabilizar..." está mal construída, porque não são os "dois filhos" que possuem o "investimento na sua educação". O problema é este pronome "cujo", simultaneamente relativo e possessivo, sempre difícil de dominar. Correcto seria "pai de dois filhos, em cuja educação investe, a qual tenta rentabilizar...", uma frase ainda assim estilisticamente rebuscada e que mais valia ser completamente reescrita.
08-Fev-2008. Primeira página do jornal 24Horas. "Apreensões caíram mais de 100 por cento" só pode ser matemática de jornalista que não quer saber de matemática.
24-Jan-2008.www.eme.pt, Editorial do Ministério da Educação, que publica compilações de exames simultaneamente muito procuradas e impossíveis de encontrar nas livrarias. Felizmente, pode-se encomendar online, se se conseguir decifrar (e ter paciência para) a linguagem burocrática, como ilustra este cromo. Podiam dizer a mesmíssima coisa apenas com "Portes:3,50€ para encomendas de valor inferior a 15,00€".