Ainda e sempre o "por que...?"

24-Set-2007. Jornal Expresso, do grupo de Balsemão. Lamento voltar a este erro, mas tenho um argumento novo a apresentar. Primeiro, repito que escrever "por que [é que]...?" é um erro em Portugal que se difundiu com as publicações de origem brasileira (como a revista Exame, também do grupo de Balsemão) e que a gramática de Celso Cunha aparentemente legitimou ao dizer que a locução era aceitável sem ressalvar que ela só é usada no Brasil.

Ora, para todos os que afirmam que "por que" se deve aceitar porque a pergunta seria "por que [razão]...?", então a resposta não pode ser "porque...", como está neste cromo, mas tem de ser "pela [razão] de que...". Como nunca vi nenhuma resposta começada por "pela de que", então só posso concluir que quem escreve "por que...?" não está a pensar em "por que razão", mas sim em "porque é que", e portanto está a incorrer em erro.

A única maneira de resolver esta questão é aceitar o erro como evolução da língua, e passar a classificar sintacticamente a locução "por que" como equivalente ao advérbio interrogativo "porque". Não me choca nada, apenas me parece desnecessário e resultante do factor ignorância e não de qualquer outros dos factores que fazem uma língua evoluir.